AS 4 FASES DA DIABETES

Sempre que nos deparamos com alguma explicação sobre a diabetes, seja nos programas de televisão ou palestras, percebemos que o foco está sempre voltado na prevenção de problemas físicos e enfermidades secundárias, sobre alimentação saudável ou na importância do tratamento. Isto é primordial na vida dos diabéticos, mas existe um lado que na maioria das vezes fica totalmente esquecido, que é o efeito emocional que a Diabetes causa nos pacientes e em seus familiares.
Poucas pessoas sabem que a Diabetes afeta o lado emocional de uma maneira tão intensa como afeta o físico. 
Sou diabética tipo I, e durante os meus 15 anos de convivência com a doença, nunca recebi nenhum acompanhamento profissional de saúde porque eu mesma não quis. 
Adolescência... a tal idade, tinha a ideia de que quem era acompanhado por um psicólogo, era alguém que não estava no seu perfeito juízo e eu, não estava claro. 
Sentia-me capaz de conseguir lidar com o problema sozinha, mas de qualquer forma podia ter-me ajudado imenso ter um profissional por perto. 
Nunca me senti só, mas um pouco desamparada por não ter ninguém próximo de mim na mesma situação e com a mesma idade, que me pudesse perceber na integridade como me estava a sentir. 
Acabei por me revoltar com a doença e com a vida, e perguntar – “Porquê eu?" 
e até mesmo os meus pais - "Porque é que aconteceu isso com a minha filha" culpando-se por eu ter a Diabetes.
Passa a existir a recusa em cumprir com a rotina diária de injeções, comprimidos, testes de glicemia, dieta e exames.
Se isto algum dia vos acontecer, lembrem-se que Não estão sozinhos!

AO ADOECER, NÓS PASSAMOS POR QUATRO FASES

O estar doente, causa uma mágoa ao nosso sentimento de omnipotência e imortalidade, porque envolve a vivência de uma fragilidade e dependência em relação ao outro. Muitas vezes causa frustrações, sofrimentos e limitações nos nossos projetos de vida. Estas fases fazem parte de um processo natural, mas depende também da visão que a própria pessoa decide escolher. 
A pessoa ou agarra-se à negatividade e não tenta ver que a vida é muito mais do que a diabetes, ou então agarra-se ao positivismo, e tenta melhorar e viver uma vida plena com esta condição.



As 4 fases psicológicas definidas são:
 1ª FASE: REGRESSÃO

É um mecanismo de adaptação à doença. 
O paciente pode voltar a fazer coisas que já não condiz com a sua idade, as tais "chamadas de atenção", por exemplo, uma criança de 10 anos que volta a fazer xixi na cama ou um adulto que volta a ter atitudes infantis ao culpar a diabetes por tudo o que não quer fazer e dizer.

2ª FASE: NEGAÇÃO


É um mecanismo de defesa que o indivíduo adquire à tomada de consciência sobre a doença, mas, não aceita essa nova realidade.
O que se torna num problema grave, porque encontra-se num estado de negação, em que deixa de seguir a dieta, tomar a medicação ou fazer os testes capilares de rotina, porque acredita que nada lhe acontecerá e que a doença não o irá vencer, e que mesmo assim, estará bem e saudável.
Este é o grande erro, já que a diabetes é uma doença silenciosa e não causa sintomas ou sinais aparentes, o que leva o paciente e a sua família a acreditar que tudo foi um grande engano e que ele está certo.

3ª FASE: DEPRESSÃO

É a consequência psíquica quase inevitável do processo de adoecer, ou seja, é quando a “ficha cai”. 
O diabético vê que as suas atitudes agressivas e negativas não vão fazer com que melhore. Sente-se infeliz, como também impotente perante a doença.
A diabetes é uma doença que requer disciplina, o paciente fica consciente e se ele quiser viver bem, sem complicações futuras, deverá criar novos hábitos e aceitar a nova realidade. Nesse momento é imprescindível o apoio de familiares e amigos.

4ª FASE: ACEITAÇÃO

É a adaptação à “nova vida”, em que o Diabético tem maior cuidado consigo, não reclama de todas as vezes que seja necessário realizar algum procedimento.
Já aceita a condição como algo natural da vida e que pode acontecer com qualquer pessoa. Escolhe viver da melhor maneira possível, tendo o conhecimento das limitações existentes, de modo a serem vencidas. Percebe que quando o médico pede algum exame ou dá uma pequena bronca, é para o seu próprio bem. 
Ganha interesse na realização dos seus exames de rotina como a hemoglobina Glicada (HbA1c) e o OCT (Tomografia de Coerência Óptica) e vai à luta sempre para a sua melhoria.
A esperança renasce, em que se sente melhor e feliz e volta a ser a pessoa que sempre foi, mas mais consciente sobre o valor da sua vida.
QUAL É A FASE MAIS DIFÍCIL PARA O DIABÉTICO?
Na minha opinião e experiência é a Negação, porque a negação vai e volta muitas e muitas vezes durante a vida. Já entrei várias vezes em negação, mas hoje em dia quando me revolto, nunca abandono o tratamento. 
É uma doença muito séria que não pode haver muitas vacilações porque podem ser cruciais para o futuro.
A grande maioria dos diabéticos nunca chega a aceitar completamente que tem esta condição de vida. 
Não é nada fácil ser diabético!


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